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Há muitos e muitos anos, o soldado Martinho ia seguindo o seu caminho montado no seu cavalo, quando desabou uma violenta tempestade. O vento soprava gelado e com força. A água caía a cântaros. Martinho tentava proteger-se com a sua capa de lã. De repente, avistou um mendigo, quase despido, que lhe estendia a mão trémula de frio em pedido de ajuda. Martinho estendeu-lhe imediatamente a mão e com a sua espada cortou a sua capa de lã ao meio, cobrindo com uma metade o pobre mendigo enregelado. Preparou-se depois para seguir viagem, apesar de pouco defendido contra o temporal, mas feliz por ter podido ajudar a salvar aquele mendigo. Mas, num instante, o vento deixou de soprar. A chuva parou de cair e o céu ficou límpido e muito azul, iluminado por um sol brilhante e morno de Verão. Martinho ficou espantado e mais ainda ficou quando o mendigo lhe estendeu a sua capa de lã, inteira e intacta. E, agradecendo, sorriu e desapareceu. Diz a lenda que Deus, para manter vivo na memória dos homens este episódio de bondade e generosidade faz cessar todos os anos a chuva e o frio e cobre a terra com um sol quente e brilhante num céu azul. Quanto a Martinho, devido à sua bondade, foi consagrado pela igreja como santo: S. Martinho. É essa época de Novembro que há muitos anos é conhecida por “Verão de S. Martinho”.
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